É PRECISO SABER COMER

Miro Lopes, jorn.

mirolopes@widebrasil.com

 

Em tempos de desaceleração da econômica os cortes vêm de todos os lados. Entretanto, existem rotinas que, pela sua importância, jamais deveriam entrar na lista de contenção de gastos do carioca.

Uma delas está relacionada  à sua  alimentação no horário do seu almoço.

A correria do dia-a-dia somada aos elevados  custos dos serviços públicos e aos salários e lucros empresariais cada vez mais restritivos têm levado muita gente a buscar formas mais baratas e rápidas de comer - uma atitude que não é recomendada pelos especialistas.

A má alimentação gera inúmeros problemas para quem decide por ela. Entre eles, os principais são obesidade, doenças cardiovasculares, gastrite e diabetes. “A má alimentação é um mal dos nossos tempos. Muitas pessoas não têm noção de que estão passando do limite da sua saúde comendo tão mal”, frisa a nutricionista Helena Costa.

 

Além dos problemas físicos causados pela má alimentação, existem também consequências cognitivas. Em 2015, a Universidade de Ohio, nos Estados Unidos, divulgou uma pesquisa que demonstrou que crianças entre nove e dez anos que consomem fast food além da quantidade razoável possuem níveis mais baixos de desempenho acadêmico. Situação que, ainda segundo a análise da Universidade de Ohio, pode ser estendida aos adultos.

Evidentemente, a solução para os problemas ocasionados pela má alimentação passa pela mudança de hábitos, escolhendo um alimentação saudável em detrimento das não-saudáveis. Segundo André Veinert, nutricionista,  “O ideal é apostar em alimentos ricos em vitaminas, minerais, fibras, sabendo equilibrar carboidratos. Organizando a alimentação ao longo do dia”.

Dica importante essa, que não é seguida por muitos na região. É comum vermos trabalhadores - inclusive de terno e gravata - trocando o almoço por um sanduba com refresco por “apenas” R$ 2,00 em uma dessas barracas de “podrão” que circulam na cidade.

Mas a questão da alimentação saudável não passa apenas pela escolha da qualidade dos alimentos. Segundo Francisco Donato, gerente do Restaurante Mosteiro, é preciso que haja uma mudança de comportamento que vai além dessas escolhas: “Percebo que nos grandes centros comerciais e de prestação de serviços as pessoas entraram em um ritmo de trabalho que acabou sendo levado para o horário de almoço, e acabou se tornando um ritmo de vida, não apenas de trabalho. É importante que a pessoa perceba isso e comece a dar mais atenção à si mesmo no seu horário de almoço. Isso significa respeitar os rituais que um bom almoço exige, sentando-se à mesa com tranquilidade e descansando o corpo e a mente para pensar com calma no que vai comer – seja nos restaurantes de self-service ou nos que oferecem serviços à la carte, como o Mosteiro. Pronto o prato, vem a hora do almoço com degustação do que se come. Comer com calma, mastigando com tranquilidade, conversando com os amigos de trabalho ou simplesmente em silêncio.”

Para Donato, que trabalha no Restaurante Mosteiro há dez anos, esses são alguns pontos essenciais para uma boa hora de almoço e um alimento para o corpo e a alma. “O trabalhador, o prestador de serviços e o empresário já enfrentam um cotidiano atribulado, cheio de  exigências, com preocupações objetivas de se  atingir metas e resultados. Então o horário do almoço deve ser para ele esse momento de desaceleração, onde deve estar todo concentrado no que está fazendo”, conclui.

São visões importantes de serem levadas em conta, afinal, apesar de o nosso corpo ter um forte poder de adaptação, em algum momento ele cobra esse ajuste, seja através do desequilíbrio da pressão arterial, do aumento das taxas de colesterol ou de triglicérides, por exemplo, gerando efeitos negativos ao nosso corpo que podem culminar em doenças graves, como o diabetes e  algumas doenças cardíacas.

Por essa razão, fica evidente que o que se economiza no almoço de má qualidade será gasto, futuramente, com medicamentos e tratamentos médicos.

É uma lógica que, sob a perspectiva do tempo, não tem exceção.

Por isso, o aconselhável é que se você recebe Ticket Refeição da empresa em que trabalha, gaste-o com uma alimentação saudável em um ambiente adequado.

Agora, se é você quem paga as despesas do seu almoço, por ser dono do seu negócio,  lembre-se que você é o mais importante patrimônio dele. E se você estiver sem saúde, certamente seu negócio vai perder em resultados.

Não deixe para o almoço de amanhã: invista realmente em você e na sua saúde.

E não se esqueça que a região onde trabalha está repleta de ofertas de restaurantes de qualidade que podem servir ao seu propósito de viver com  mais saúde.