INDÚSTRIA DO ESPORTE

Felipe Lucena, jorn.

felipeflucena@widebrasil.com

 

Dia desses, acompanhei pela TV um evento da Nascar (a associação automobilística norte-americana), enquanto esperava um jogo de futebol, do Campeonato Carioca, começar. O jogo do Carioca era a final, entre Flamengo e Fluminense, dois dos mais tradicionais clubes do país. Embora tenha sido uma festa bonita no Maracanã, me chamou a atenção o abismo, do ponto de vista do entretenimento, entre os dois eventos esportivos: a Nascar e a decisão do futebol carioca.

Sim. São esportes diferentes, países diferentes, competições com importâncias diferentes, culturas e situações econômicas diferentes. Todavia, sempre cabe a reflexão. Sempre. A festa que os norte-americanos fizeram na Nascar e fazem em qualquer evento esportivo é de impressionar. Basta a realização de uma disputa em algum esporte que eles criam um grande acontecimento, movimentando milhares de dólares, gerando empregos, alcançando um grande público e, consequentemente, dando uma injeção positiva na economia, cultura e sociedade do país.

Não. Não me taxem de imperialista ou coisa do tipo. Não estou dizendo que devemos copiar os estadunidenses.  Cada um deve achar seu caminho, de acordo com suas determinadas realidades. Contudo, o Brasil deveria aproveitar melhor seu potencial esportivo. Somos um país continental, com talentos para o esporte em praticamente qualquer esquina, mas não sabemos usar isso da melhor forma. Considerando as desigualdades sociais e educacionais que vivemos por aqui, o incentivo e a promoção de práticas esportivas pode ser um grande caminho para nosso povo.

Talvez, a trilha para esse novo e positivo rumo, passe por uma promoção maior dos esportes além do futebol - que também não tem o apoio que lhe é merecido em certas questões. Essa maior divulgação, geraria mais adesão, investimentos financeiros e visibilidade. Com isso, os problemas seriam expostos e as soluções evidenciadas. Nos últimos anos, sediamos grandes eventos esportivos, porém, atualmente, parece que nada aconteceu e as coisas não mudaram muito nesse segmento. Já passou da hora de virarmos esse jogo.

Certamente, com uma estruturação mais concreta do esporte como um todo, passando por federações, confederações, praças esportivas, jovens atletas, atletas profissionais, empresas ligadas ao meio e até a imprensa, o Brasil conseguiria formar uma espécie de indústria do esporte, gerando empregos, alavancando a economia, reduzindo distâncias sociais e tantas outras vitórias. Nós só temos ganhar com isso.